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Reprodução de Jornais Italianos

O Caso Amanda/Muriel

O MINISTÉRIO PÚBLICO ITALIANO ABRE INVESTIGAÇÃO COM BASE NO LIVRO "O HOMEM QUE MORREU TRÊS VEZES"

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Imprensa Italiana Clique para ampliar
Jornal • 22/12/05 LA CRONACA DI PIACENZA Entrevista com Cristina Perera bulletAmpliar reprodução (PDF)
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Jornal • 19/12/05 LA CRONACA DI PIACENZA Entrevista com Fernando Molica bulletAmpliar reprodução (PDF) bulletVeja a tradução (PDF)
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No dia 23 de novembro de 2005, a manchete do jornal “Libertà”, da província italiana de Piacenza, região da Emília-Romagna, surpreendeu os leitores: a escritora e filantropa brasileira Amanda Castello, antiga moradora da cidade de Bettola, admitia que usara documentos falsos por 36 anos. Nos dias seguintes, a informação seria publicada em outros jornais italianos, como o “Polis Quotidiano” e o “La Cronaca”.

Segundo os jornais, a confissão pública ocorreu depois de “Amanda” ter sido interrogada em um processo aberto com base nas informações do livro "O homem que morreu três vezes", de Fernando Molica. O livro, uma reportagem sobre o advogado gaúcho Antonio Expedito Carvalho Perera, mostrava que ele e sua mulher, Amanda, tinham passaportes brasileiros falsos.

Como base no livro, o Ministério Público italiano e a Digos, Divisão de Investigações Gerais e Operações Especiais, foram ouvir “Amanda”. Pressionada, ela admitiu que nascera na França e que seu nome verdadeiro é Muriel Bianchi. “Amanda se chiama Muriel”, foi a manchete do “Libertà”.

Perera, que morreu de câncer em 1996, viveu na Itália com o nome de Paulo Parra. Ex-militante anti-comunista, ele, nos anos 70 , envolveu-se com uma organização guerrilheira, a Vaguarda Popular Revolucionária, a VPR do capitão Carlos Lamarca. Preso, torturado, banido do Brasil em 1971, Perera, já na Europa, ligou-se ao então terrorista mais procurado do mundo, Illich Ramiréz Sánchez, “Carlos”, o “Chacal”. Para escapar da polícia, Perera mudou-se para a Itália, viveu com documentos falsos e chegou a ser representante do Partido Comunista Brasileiro no país.

Acusada de violar o artigo 495 do Código Penal italiano – que pune a falsidade ideológica -, Amanda/Muriel, divulgou uma nota em que procurava se justificar: “Não nasci como Amanda Castello. Na realidade, me chamou Muriel Bianchi”, nasci em Nice no dia 19/06/1948 e tenho nacionalidade francesa.” Na nota, ela confirma a informação de "O homem que morreu três vezes": seu marido, Paulo Parra, era mesmo Antonio Expedito Carvalho Perera. Depois da morte do marido, Amanda fundou a Associação Paulo Parra, dedicada a pesquisas sobre tratamento a doentes terminais.

Na nota, Amanda/Muriel disse que ambos usaram nomes falsos para escapar de uma suposta perseguição a Perera feita, na Europa, pelo regime militar brasileiro. Afirmou que ela e o marido eram militantes dos direitos humanos. Em declarações aos jornais italianos, negou que Perera/Parra tivesse se envolvido com o terrorismo internacional.

Em entrevista por escrito a Molica e que foi publicada no livro, “Carlos”, que está preso na França, disse que havia conhecido Perera nos anos 70 e que ambos haviam lutado “pelas mesmas causas”. Documentos de serviços de espionagem brasileiros e publicações estrangeiras também relacionavam Perera a atividades terroristas.

Nas reportagens, os jornais italianos lembravam que Molica, acompanhado de Teresa Cristina, filha de Perera, estivera em Bettola em 2002, mas não conseguira encontrar-se com Amanda/Muriel. Em 2003, ela, por telefone, recusou-se a dar entrevista para o livro.

Aos jornalistas italianos, Amanda/Muriel disse que seu marido era um “herói”. Uma outra declaração dela - “Ho fatto tutto per amore” (“Eu fiz tudo por amor”) - foi a manchete do “Libertà” no dia 24 de novembro de 2005. Segundo o jornal, o caso se parecia com uma história de espiões “alla Hitchchock”.

O “Polis Quotidiano”, de Parma, classificou o caso como “surreal”.O “La Cronaca”,de Piacenza, publicou uma longa entrevista com Fernando Molica sobre o caso. Em janeiro de 2006, Teresa Cristina, a filha única de Perera, esteve na Itália e também foi entrevistada pelo “La Cronaca” e pelo “Polis Quotidiano”.

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