50 Anos de Crimes é o segundo volume da coleção Jornalismo Investigativo da Editora Record e da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo/Abraji. O objetivo é o mesmo do primeiro livro, 10 Reportagens que abalaram a ditadura (2005): oferecer uma coletânea de textos que marcaram época e que contam, ao mesmo tempo, um pouco da nossa história e da evolução do jornalismo brasileiro.

Fernando Molica, repórter da TV Globo e organizador da coleção, foi mais uma vez muito feliz. Embora ciente dos limites de uma seleção desta natureza, conseguiu reunir vinte casos de impacto, seja pela repercussão que tiveram, seja pelas técnicas de apuração jornalística. Acompanham os textos comentários sobre os bastidores e o contexto das investigações.

A segunda metade do século XX marcou a definitiva transformação do Brasil numa nação urbanizada. As cidades cresceram sem planejamento e sem políticas sociais. As reportagens aqui reunidas mostram como, no mesmo período, explodiram a criminalidade e a violência.

Os textos de David Nasser no caso Aída Cúri (1958) abrem a antologia e são exemplos de um jornalismo de combate, panfletário, quase uma peça de acusação, e que, ao longo das décadas seguintes, foi sendo substituído por apurações mais precisas, mais objetivas e igualmente impactantes.

Mineirinho (1961), Cara de Cavalo (1964), Chico Picadinho (1966) e o Bandido da Luz Vermelha (1967) são personagens de um tempo que ficou para trás.  Perderam espaço para os grupos de extermínio que horrorizaram as grandes cidades nos anos 1970, para a corrupção e a violência policial e para o surgimento dos comandos criminosos, o crescimento do narcotráfico e o domínio territorial de favelas e bairros abandonados das periferias.

A história destes cinqüenta anos está nos jornais e foi escrita por repórteres corajosos, que entenderam o papel social do jornalismo e transformaram a crônica policial numa área vital para a compreensão dos dias que vivemos. Foram muitos, centenas e centenas. A criação da Abraji esta associada a um destes grandes repórteres, Tim Lopes (1950-2002), assassinado quando buscava informações para uma reportagem sobre o narcotráfico.   

Marcelo Beraba

Criada em dezembro de 2002, a Abraji – Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo – é uma entidade sem fins lucrativos que promove seminários, cursos e oficinas para estimular a qualificação de jornalistas e estudantes. A Abraji estimula a troca de experiências e informações para o aperfeiçoamento das técnicas de reportagem. A associação tem cerca de 350 sócios. O endereço eletrônico da Abraji é www.abraji.org.br.