Estação Piedade: a biografia de Fernando MolicaEstante: livros públicados pelo MolicaPáginas Amarelas: textos, artigos e outras palavras maisJulio Reis: Biografia, Músicas e PartiturasBlog: Pontos de PartidaFoto MolicaClique para voltar a página principalFoto Molicawww.fernandomolica.com.brEntre em contato com o Fernando MolicaInformações para imprensa
O Inventário de Julio Reis

O inventário de Julio Reis

 

separador Editora Record • 2012 • ISBN 9788501097842 • Português • Capa tipo Brochura • 192 páginas • R$ 34,90 (preço sugerido)
BG

separador

Imagem da Palavra, 07/03/2013

'O inventário de Julio Reis'

Aqui, o link para a entrevista ao programa 'Imagem da Palavra', da Rede Minas: https://www.youtube.com/watch?v=Dk1B7eDGDbg

Rede Minas
separador

Revista de História da Biblioteca Nacional, 02/07/2012

Herança Musical

Aos 13 anos, Julio Cesar do Lago Reis (1863-1933) já causava admiração por compor a “Ave Maria” para piano e coro. Autodidata, o jovem era considerado um prodígio, mas não parou por aí. Ele também foi organista, jornalista, escritor e crítico musical, tendo muitas obras publicadas e guardadas na Biblioteca Nacional. No entanto, centenas de outras – mais de 200 partituras – pertenciam aos herdeiros, que agora decidiram doar todo o acervo à BN.

A decisão foi do jornalista e escritor Fernando Molica – bisneto de Reis –, após finalizar seu livro O inventário de Julio Reis (Record, 2012), romance baseado na vida do compositor. “Era um desejo do meu avô, Frederico Mário. Ele herdou esse acervo do pai e o conservou a vida inteira. Chegou a deixar um bilhete, e foi explícito comigo dizendo que queria a doação”, conta Molica. Outro fato que pesou foi a impossibilidade de cuidar adequadamente de tudo em casa.

“O material está em boas condições, mas não estava guardado do jeito que deveria. Tem muita coisa escrita ali com mais de 100 anos. É preciso limpar algumas; outras têm que ser restauradas. Não dá para fazer isso em casa”, diz o jornalista. Com a transferência das obras, Molica acredita que a pesquisa será facilitada. Ele lembra que recentemente foi procurado por alunos de Música da Universidade de São Paulo interessados em montar uma ópera baseada em libreto de autoria de seu bisavô. “A partir do momento em que vai para a Biblioteca Nacional, passa a ser acessível a todo mundo, que é o que interessa”, afirma.

Para ele, ter o material à mão ajudou muito na sua pesquisa histórica. “É uma ficção, mas tem como ponto de partida a vida de uma pessoa que existiu. Estive também na BN pesquisando jornais da época, porque eu queria ter uma base razoavelmente sólida, para não trair o personagem. E quando terminei de escrever, achei que estava na hora de fazer a doação”, conclui.

Elizete Higino, chefe da Divisão de Música da Biblioteca Nacional, garante que o acervo de Julio Reis está em muito bom estado. Embora algumas peças precisem de restauração, as condições gerais do material são boas. São 13 envelopes contendo diversas obras do artista, incluindo reportagens de jornais sobre suas apresentações e críticas de autoria dele e sobre ele. A maioria das partituras doadas foi escrita de próprio punho por Reis.

Satisfeito com a doação, Molica acha que fez o que devia para preservar o patrimônio e dar uma contribuição à música: “Chega uma hora em que isso naturalmente deixa o âmbito familiar e passa a ser de todos”.


separador

'Saraiva Conteúdo', 30/05/2012

Julio Reis: o compositor que pretendia ser tão bom na ópera quanto Carlos Gomes

No fim do séc. XIX e começo do séc. XX, surge um garoto prodígio que já revelava, teimosamente e de forma autodidata, o dom musical compondo, aos 13 anos de idade, "Ave Maria" para pianos e coros.

Começa assim a trajetória de Julio Cesar do Lago Reis (1863-1933), um compositor paulista, maestro, pianista e crítico musical que encontrou no Rio de Janeiro a inspiração para sua arte.

Isso mesmo em meio ao cenário de transformações da época, como lutas operárias, a chegada dos bondes elétricos e dos automóveis e, principalmente, as mudanças no meio artístico e as novidades na forma de compor.

Admirado pelo diplomata e escritor Ruy Barbosa e com pretensões ousadas de um dia ser melhor que Carlos Gomes, Julio Reis defendia de todas as maneiras a prática da harmonia musical incluindo em seu repertório valsas, polcas, habaneras e tangos, ficando popular entre os intelectuais.

Apaixonado pelos clássicos como Chopin, Beethoven e Mozart, detestava compositores que queriam modernizar a música, como Villa Lobos, Stravinsky e Debussy, sendo que, para Julio, este último traduzia em sua música "o sono e o vozerio dos sapos num charco".

Fernando Molica, bisneto do compositor, pesquisou as curiosidades do artista. O resultado foi o romance O Inventário de Julio Reis. A obra não é uma biografia, e o enredo é apresentado de forma ficcional.

Em entrevista ao SaraivaConteúdo, Molica descreve como foi se aventurar nesse quarto romance.

Como surgiu o projeto de escrever um livro de ficção através de fatos de um personagem real, o seu bisavô e compositor Julio Reis?
Molica
. Por volta de 2007, quando eu terminava meu romance anterior, O ponto da partida, é que comecei a pensar em transformar o assunto. Não buscava uma biografia, um registro documental de sua vida e obra. Procurei criar um personagem a partir de determinados parâmetros, procurei construir a história de um homem que percebe, assustado, o fim de muitas de suas referências, que tem dificuldades para construir uma relação com os filhos. Um sujeito que se mostrava tão duro em suas críticas e tão sonhador em sua criação. O meu Julio era um homem que se batia entre as limitações de uma vida difícil e o desejo de uma glória artística.

Em algum momento o vínculo afetivo prejudicou o processo de O Inventário de Julio Reis?
Molica
. Acho que não. Não conheci o Julio Reis. Convivi muito com o filho dele, meu avô, Frederico Mário, que acabou virando personagem do livro. Chamávamos meu avô de Mário. No livro, resolvi tratá-lo de Frederico, exatamente para gerar um certo distanciamento. Mário era o meu avô, Frederico passou a ser o personagem. Um nome que até caía melhor, já que remetia a Frederic Chopin, um dos ídolos de JR.

Durante a pesquisa no acervo de Julio Reis, qual foi a maior surpresa ao inventariar a história das obras?
Molica.
Li com atenção todos os livros, todas as críticas de espetáculos que ele escreveu. Isso me permitiu ter uma boa noção de seu pensamento, de suas preocupações para que eu pudesse construir um personagem. Fiquei surpreso com a firmeza com que ele defendia seus pontos de vista. De certa forma, essa insistência acabou sendo responsável por parte de seu esquecimento. Ficou fora do seu tempo, se apegou a um mundo que já não existia.

Qual foi a fase de sucesso de Julio Reis?
Molica.
Ele teve uma atuação importante no início do século 20, quando suas sinfonias e óperas foram montadas. Mas, mesmo antes, conseguiu reconhecimento na produção de peças mais ligeiras, valsas, polcas, mazurcas e tangos brasileiros, que eram publicadas pelas editoras musicais. O Rio era uma cidade cheia de pianos. Para ter música em casa, as pessoas precisavam comprar as partituras e executá-las.

O fato de Julio Reis não aceitar as mudanças na forma de compor música clássica no séc. XX colaborou para a sua decadência como artista? Por que?
Molica.
Não falaria em decadência, mas em esquecimento. Ele foi atropelado pela modernidade. Tudo isso se refletiu na vida artística. Preferiu ser fiel aos seus princípios, aos compromissos, queria ser um novo Carlos Gomes numa época que apontava para o surgimento de Villa-Lobos.
Julio Reis compôs obras como a "Marcha Triunfal" no jubileu do papa Leão XIII, valsa "Odaléa" para Carlos Gomes, o poema sinfônico "Vigíla D'armas", entre outros.

Quais composições poderiam se transformar na trilha sonora do compositor que era apaixonado pelo modelo romântico da música?
Molica.
Uma delas, a sinfonia 'A Caravana Celeste', é bem representativa. Na sua introdução, Julio escreveu um texto em que, digamos, narra a composição. A tal caravana era uma reunião de artistas, músicos, pintores, escultores, que viajam em direção à glória, à beleza das artes. Cultivava a ideia da Musa, de uma inspiração divina que iluminava os artistas.

Como romancista, quais foram as dificuldades para dar alma ao personagem?
Molica
. Era preciso injetar humanidade naquele personagem. Precisava quebrar esta couraça de Julio, gerar condições para que se apresentasse desarmado. Alguém que fizesse um balanço de sua vida, de sua trajetória, de seus sucessos e fracassos. Era fundamental que ele estivesse disposto a fazer um inventário mais sincero, como se escrevesse para a posteridade. O personagem Frederico foi a chave para a construção de Julio. Por meio dele busquei fazer um personagem mais humano.

Com a publicação de O Inventário de Julio Reis, você considera ter realizado o sonho do seu avô de revelar detalhes de um artista autodidata e crente no poder de suas músicas?
Molica.
De certa forma, sim. O livro é um romance, mas ele permitiu que o nome de Julio voltasse a circular; conseguimos executar uma sinfonia que não era tocada há quase 90 anos. Isso representa o pagamento de uma espécie de dívida com o meu avô. Ele me levou aos primeiros concertos, despertou meu gosto para uma outra forma de música. É bom saber que O inventário de Julio Reis permite, de alguma forma, a recuperação de alguém que ficou tanto tempo esquecido

 

Iveilyze Oliveira
separador

'Guia Folha', 'Folha de S.Paulo', 26/05/2012

'O inventário de Julio Reis'

Em 1994, muita gente descobriu que existia um talentoso compositor brasileiro chamado Alberto Nepomuceno graças a um ótimo romance-resgate: "Ana em Veneza", de João Silvério Trevisan. Este ano, um número muito maior de leitores - incluindo este resenhista - está descobrindo a existência de outro compositor importante, Julio Reis, graças novamente a um romance dos bons.

Bisneto do compositor, Fernando Molica viajou primeiro à Belle Époque carioca para reconstruir literariamente a batalha de Julio Reis contra o descaso e o esquecimento. Em seguida, voltou ao coração do século 20 a fim de reconstruir outra batalha perdida: a do filho do compositor tentando salvar do descaso e do esquecimento a obra do pai.

Dois crimes condenaram Julio Reis à morte em vida. O primeiro, ser pobre e, consequentemente, autoditada. O segundo, detestar a música modernista. Seu interesse estava todo nos mestres e nos valores musicais do passado. O romance alterna os dois momentos, o empenho do pai e o do filho, revelando tudo, até mesmo o lado cômico dessa tragédia doméstica.

Avaliação: ótimo

Luiz Bras

 


separador

Revista Música Brasileira, 17/05/2012

Quase 80 anos depois de sua morte, compositor Julio Reis volta pela mão da literatura

Um “acerto de contas”, segundo o escritor Paulo Scott, na orelha do livro. Mas também uma declaração de amor a um avô e a um bisavô, a um Rio de Janeiro de começo do século passado, à música e à literatura.

Também uma reverência à relação filho-pai, “O inventário de Julio Reis” (Editora Record), do jornalista e escritor Fernando Molica, reabre as cortinas do passado para nos apresentar o compositor clássico Julio (Cesar do Lago) Reis, nascido em São Paulo (1863), que construiu família, carreira na música e no serviço público (foi funcionário do Senado), projeção e dissabores na então Capital Federal, onde viveu até sua morte, em 1933. Para quem não sabe (eu não sabia), Julio compôs “valsas, polcas, mazurcas, habaneras, quadrilhas, schottischs e tangos brasileiros”. Criou peças religiosas e até uma “Marcha triunfal”, executada em Roma nas comemorações do Jubileu do Papa Leão XIII.

Praticamente autodidata – só havia estudado música com a mãe, na infância – Julio contou, em vida e também depois de sua morte, com simpatias, aplausos, intrigas e até indiferenças. Em nome do pai, o filho do compositor da emblemática “Vigília d´armas” – que na esteira do lançamento da obra volta a ser executada até no Instituto Villa- Lobos, – Frederico, retoma o “acerto de contas” com a vida, a memória e a obra de Reis, e em defesa dela chega a enviar cartas para um general-presidente da República. Fizera uma caixa preta de madeira para guardar partituras manuscritas, livros e recortes de jornais, e lançou-se ao inventário da herança que, sem saber, estava legando ao seu neto.

Julio Reis era erudito, de enaltecer Carlos Gomes e Villa-Lobos e de torcer o nariz para os ritmos populares como o samba, o maxixe e os batuques que começam a embalar o Rio a partir do Estácio e da Praça Onze, “música fácil, que falava aos instintos mais baixos”. Em nome do avô, o acerto se impõe à história da criação musical e cai nas mãos de Fernando Molica, neto de Frederico, bisneto de Julio e um dos mais atentos escritores dos nossos dias (comprove lendo também “O ponto de partida” ou “Notícias do Mirandão”). O resultado é cativante, mas não vou contar. Só lendo o livro ou ouvindo as melodias.

Luís Pimentel
separador

Site de Shahid Produções CulturaisCarolina Drago, 16/05/2012

'O inventário de Julio Reis' e o desafio de Molica

No início do século XX, o compositor paulista Julio Reis (1863-1933) luta para brilhar na capital federal e se desespera com as mudanças na música. Décadas depois, Frederico, filho do maestro, tenta impedir que seu pai seja esquecido e se dedica, até o fim da vida, a resgatar sua memória e sua obra. Neste romance, o escritor Fernando Molica, bisneto de Julio Reis, conta ficcionalmente a história do músico, de seu filho e de um tempo de grandes transformações. Em entrevista à Shahid, Molica fala sobre o prazer e os desafios de reproduzir a trajetória deste personagem.
 
O que você sabia sobre Julio Reis, como bisneto dele, antes de escrever o livro?
O conhecimento sobre Julio Reis veio do meu avô Frederico Mário, com quem convivi muitos anos (quando ele morreu, eu tinha 31 anos). Lá pelo início da minha adolescência, eu fiquei sabendo que meu bisavô tinha sido compositor de sinfonias e óperas, achei isso muito legal, interessante. Meu avô dedicou-se muito à ideia de recuperar a obra do pai, fazê-la voltar a circular, mas infelizmente não conseguiu. Depois da morte do meu avô, acabei ficando com o acervo do Julio Reis – partituras manuscritas, recortes de jornais. Durante um bom tempo não sabia bem o que fazer, até que resolvi escrever um romance baseado em sua vida.
 
O Inventário de Julio Reis é uma obra de ficção, porém baseada na trajetória real de Julio Reis na cidade do Rio de Janeiro. O que é ficção e o é realidade no livro?
É muito difícil separar ficção e a chamada realidade. Uma mesma realidade ganha relatos diferentes quando contada por diferentes pessoas. Não inventei títulos de composições, ele é autor de tudo o que é citado, procurei ser rígido neste ponto. Mas o acervo deixado pelo Julio Reis é amplo, porém muito, digamos, duro. Eu tinha ali muito material crítico, reportagens, resenhas, além das partituras. Faltava dar uma cara, uma personalidade, buscar entender os desejos, os sonhos, os amores e as frustrações daquele personagem que viveu numa época de tantas mudanças. Não daria para fazer uma biografia formal, eu não tinha elementos nem vontade para isso. O que busquei foi interpretar aqueles papéis, criar uma espécie de variação ou fuga - para usar uma linguagem musical - em torno das vidas do Julio Reis e de seu filho Frederico.
 
Como a vida no Rio influenciou a arte de Julio?
O Rio, então capital federal, vivia um período de muitas mudanças, de consolidação da República, de profundas alterações urbanísticas. Foi a época de revoltas populares e militares, de remoção de milhares de pessoas, de construção das grandes avenidas. Julio Reis era um compositor de características românticas, apegado à tradição da música europeia. De certa forma, ele foi atropelado pelas mudanças, pelas modificações na própria música. Ele não aceitava a modernização empreendida por compositores como Debussy e, um pouco mais tarde, por Villa-Lobos.
 
O que você destacaria de sua obra?
Eu não sou músico, não sei ler partitura. Agora é que estou começando a conhecer um pouco a obra do Julio Reis. Conheço apenas gravações de uma valsa, Alvorada das rosas, feita para o flautista Patápio Silva. No lançamento do livro, o pianista João Bittencourt tocou algumas outras peças - polcas, mazurcas, tangos brasileiros. E, no dia 20, a Orquestra Sinfônica UniRio executou Vigília d'armas, uma sinfonia que não era tocada há 89 anos. No próximo dia 3 haverá outro concerto. Lá no meu site – www.fernandomolica.com.br – eu criei um espaço para o Julio Reis, coloquei dezenas de partituras que podem ser baixadas.
 
Por que você acha que a história dele ficou esquecida? O que há de mais importante neste resgate que você fez?
Ele se dedicou a um tipo de música que não chega a ser muito popular. Muitos compositores da chamada música clássica ou erudita também acabaram esquecidos, as orquestras se dedicam mais ao repertório mais consagrado. Pouco se sabe até mesmo dos compositores brasileiros contemporâneos. Além disso, Julio Reis remou contra a maré ao se posicionar contra a modernidade. O resgate é, talvez, uma consequência do livro. Mas, insisto, o livro é uma obra de ficção que só tem compromisso com a própria história que é ali contada. O inventário de Julio Reis é um romance que, por acaso, se baseia na vida de pessoas que existiram, mas ele deve se sustentar como ficção e não como biografia. O resgate da obra do compositor é algo que ocorre de forma paralela, tanto que, no meu site, eu coloquei uma pequena biografia história do Julio Reis, baseada nos documentos que ele deixou.

separador

'Diário do Nordeste', 05/05/2012

O inventário de Julio Reis

Com um pé na realidade, este romance disseca, também, o Rio de Janeiro, capital da República, onde se concentrava o que de melhor e mais importante havia na política, nas academias, nas artes. O cenário musical vastíssimo, com companhias internacionais de ópera se revezando em espetáculos concorridíssimos. A Primeira Guerra, a Revolução Soviética, as conquistas científicas, essas e outras transformações fundamentais para a cidade e para Julio Reis desfilam pelas páginas, em meio a histórias controversas e pitorescas. Trata-se de uma leitura sobretudo desafiadora - um alimento.

 


separador

'A União', de João Pessoa, 14/04/2012

Laços de família

Em seu quarto romance, jornalista escreveu uma obra de ficção a partir de fatos reais.

Um romance baseado na vida e obra de seu próprio bisavô, o compositor, maestro, pianista e crítico musical Julio Reis é a nova obra literária de Fernando Molica. Após três romances ambientados na contemporaneidade, o escritor volta ao Rio de Janeiro do início do século XX para compor um rico panorama de uma época de grandes mudanças e resgatar a obra de um grande artista brasileiro que o tempo quis esquecer.

Qual foi sua motivação para escrever este livro?
Soube da existência do Julio Reis no início da adolescência, eu morava em Piedade, perto dos meus avós, e ia muito na casa deles. Foi quando fiquei sabendo que o pai de meu avô Mário, portanto, meu bisavô, tinha sido um compositor clássico, fiquei muito surpreso com a história. A figura de um compositor da chamada música clássica me parecia meio incompatível com a vida simples de Piedade. Desde então, passei a acompanhar a luta do meu avô, que praticamente dedicou sua vida à luta pela divulgação da obra do pai. Ele mandava cartas para autoridades, presidentes da República e diretores de jornais em busca da possibilidade de divulgação da obra do Julio Reis. Tudo o que ele queria era poder voltar a ouvir aquelas composições, em especial, Vigília d'armas, que estreou em 1915, no Theatro Lyrico, que ficava na Avenida 13 de Maio. Depois, ela só voltou a ser executada em 1923. Meu avô foi também o responsável por me levar aos primeiros concertos, de um modo geral, programas gratuitos como vesperais no Theatro Municipal e concertos do Projeto Aquarius. Sou muito grato a ele, que me apresentou a um tipo de música. A história de Julio Reis era algo que me martelava, eu achava que poderia ser contada, que merecia ser contada. Houve também um episódio curioso: há uns anos, creio que em 1996, eu estava no Museu d'Orsay, em Paris, e, ao entrar numa sala, dei de cara com o quadro Le rêve (O sonho), de um pintor francês chamado Édouard Detaille. Um quadro imenso, de uns doze metros quadrados. Este quadro servira de inspiração para Vigília d'armas, uma gravura que o reproduzia fora colada por Julio Reis na capa da partitura. Eu vira aquela imagem dezenas de vezes. Fiquei meio baqueado ao dar de cara com o quadro no museu, nunca pensei em vê-lo exposto. Na época, meu avô já havia morrido e talvez este episódio tenha, de alguma forma, tenha me estimulado um pouco mais a tentar escrever um livro sobre Julio Reis. Não cheguei a ser obcecado por isso, mas por volta de 2007, quando concluía meu segundo romance, comecei a achar que estava chegando a hora de tratar do Julio Reis. Na época, o que restara do acervo dele tinha vindo para minha casa, pois meu avô, que morreu em 1992, queria que eu ficasse responsável pelo material, que tratasse de sua doação para a Biblioteca Nacional. O fato de ter o acervo ao meu alcance facilitou muito o trabalho de pesquisa. O Inventário de Julio Reis é um livro de ficção, mas baseado na vida do personagem, era importante pontuar a história com elementos da realidade em que ele viveu.

Como é que foi criar uma ficção a partir de uma realidade, de um personagem real?
Foi meio complicado encontrar um viés para o livro. Julio Reis deixou um acervo bem organizado, reuniu partituras e muitos recortes de jornais -- críticas que escreveu e o material sobre suas composições. Mas praticamente não havia detalhes sobre sua vida particular. O material permitia conhecer o profissional, mas não a pessoa. Eu não queria fazer uma biografia, um livro de não-ficção. O que me interessava era tentar descobrir o que movia aquele homem, quais eram seus sonhos, seus desejos, suas frustrações. Em 2007 e 2008 conversei algumas vezes com uma tia mais velha, Yara, que chegou a conviver com o avô (ela morreria no fim de 2008). Ela me contou algumas histórias sobre ele, sobre seu temperamento. Eu me lembrava também das conversas com meu avô, Frederico Mário. Ao reunir todas as informações, consegui chegar ao que classifico como um perfil bem razoável do personagem -- o desafio era colocá-lo, digamos, para jogar, para atuar. Eu formulei uma hipótese para o Julio Reis a partir de dados concretos: suas críticas, suas composições, suas lutas. Escrevi com muita liberdade, tentei apenas não trair o personagem, um cuidado que também tenho quando crio qualquer outro personagem de ficção. Enfim, não existe uma verdade absoluta, mesmo em biografias, o autor destaca determinadas características, opta por este ou aquele caminho. A produção documental também é, de certa forma, ficcional.

Como era o Rio de Janeiro à época de Julio Reis? E o cenário musical da cidade, qual era?
O Rio era a capital federal, centro da República, aqui se concentrava o que de melhor e mais importante havia na política, na academia, nas artes. O cenário musical era muito interessante, companhias internacionais de ópera se revezavam por aqui, ocupavam quatro, cinco teatros. Grandes estrelas da música lírica faziam temporadas na cidade. O pai de Julio Reis veio para o Rio nomeado pelo governo imperial, veio trabalhar. O início do século 20, uma época fundamental para a vida de Julio Reis, foi também um período de muitas transformações. Houve a I Guerra Mundial, a Revolução Soviética. Por aqui, tivemos revoltas militares, uma série de dificuldades econômicas e politicas relacionadas à substituição do Império pela República. Foi uma época de consolidação de conquistas científicas e industriais, da expansão da eletricidade, da substituição dos bondes puxados por burros pelos elétricos, da chegada do automóvel. Foi quando houve a reformulação do Centro da cidade, a derrubada de milhares de casas, a abertura de avenidas, como a atual Rio Branco, a construção do Theatro Municipal. A modernidade também chegou às artes, à música, é só ver os movimentos artísticos que afloraram naquela época. Julio, de certa forma, foi uma vítima deste choque de modernidade. Ele estava muito atrelado a uma visão mais clássica da música, suas referências estavam nos séculos XVIII e XIX. Ele se assustou com a chegada de compositores como Debussy e Stravinsky e, depois, de Villa-Lobos. Ele não poupava a modernização da música, era ferrenho na defesa de padrões mais clássicos, baseados na melodia e na harmonia. Não deixava de atacar o que chamava de "música sem música". De certa forma, JR foi atropelado pela modernidade.

Julio Reis chegou a ser um compositor de sucesso?
Ele era uma pessoa muito conhecida na cidade, dezenas de suas composições foram editadas e lançadas -- o Rio era uma cidade cheia de pianos, as pessoas compravam partituras para tocá-las em suas casas. Como era um polemista, despertava discussões sobre os rumos da música, publicou livros de crítica e de ficção. Algumas de suas obras de maior peso -- sinfonias e mesmo uma ópera -- foram executadas em teatros da cidade. Ele também se apresentava como pianista, era uma pessoa muito ativa no cenário musical.

Quais foram as referências musicais do compositor? E que músicos ele detestava?
Ele adorava os clássicos: Beethoven, Chopin, Verdi, Wagner. Entre os brasileiros, admirava Carlos Gomes, que chegou a indicá-lo para um período de estudos na Europa. Tinha horror a tudo o que era moderno, que rompia com o convencionalismo da música. Dizia que a nova forma de compor desprezava a melodia, chegou a dizer que a música de Debussy imitava o cair da chuva, "traduz em música o sono e o vozerio dos sapos num charco; revela as confidências de um casal de cegonhas e reproduz o mutismo filosófico de um orangotango em êxtase ao aparecimento da lua-nova".

Quais foram os motivos para a sua decadência como artista?
Em primeiro lugar, havia as dificuldades naturais de quem se dedica à chamada música clássica ou de concerto. Mesmo hoje, pouquíssimos são os compositores brasileiros que integram o repertório das orquestras. Há quanto tempo as óperas de Carlos Gomes não são montadas no Rio? Lembro que assisti a uma montagem de O Guarani há uns 20 anos, acho que foi a última no Municipal. Volta e meia temos programas que incluem peças de Villa-Lobos, de Carmargo Guarnieri, mas isso não é assim tão comum. O Museu Villa-Lobos, nosso principal compositor, é pequeno, pouco atrativo. Ele mereceria muito mais. Nossos compositores contemporâneos são praticamente desconhecidos e, claro, há muita gente compondo. A, digamos, seleção natural talvez seja mais cruel em algumas formas de expressão artística. Em sua época, Julio Reis já esbravejava contra a falta de apoio aos músicos brasileiros. No século XX, a música de concerto também passou a sofrer a concorrência de outras diversões, como o cinema, o futebol, a própria música popular. Hoje, há -- e é fundamental que isto ocorra -- um grande esforço de recuperação de nossa tradição musical de caráter mais popular, mas a produção de música para concerto continua meio escanteada. Julio também era pobre, tanto que, na velhice, precisou morar com o filho em Piedade, isto também colaborou para seu esquecimento.

Como foi o episódio da ópera que teria verbas governamentais para sua montagem?
Esse episódio, o da Sóror Mariana foi fundamental na vida de meu bisavô. Ele usou como libreto uma peça do português Júlio Dantas, o mesmo autor de A ceia dos cardeais. Ficou fascinado com o texto e, em pouquíssimo tempo, compôs a ópera. Com seus contatos no Senado, conseguiu a aprovação de uma verba para a montagem de Sóror Mariana, e acabou se desgastando muito para tentar liberar o dinheiro.

Como escritor, você tem romances, contos e uma obra de não-ficção. Como você definiria este livro dentro de sua trajetória literária?
Eu tenho um livro de não-ficção, O homem que morreu três vezes -- o engraçado é que o personagem principal do livro, o Antonio Expedito Carvalho Perera parece ter saído da ficção. Organizei também três livros de reportagens para a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo). Mas, como escritor, me dedico mesmo à ficção. O inventário de Julio Reis é meu quarto romance. Também tenho contos incluídos em três coletâneas. A opção pela ficção me parece bem clara, é que gosto mais de fazer na literatura. Acho que minhas obsessões e preocupações estão em todos os livros, deve haver uma certa unidade em todos eles Assim, de cara, dá pra notar uma mudança no tempo. Notícias do Mirandão (2002), Bandeira negra, amor (2005) e O ponto da partida (2008) tratam de um Rio contemporâneo, daria até para dizer que formam uma trilogia. Em O inventário, eu pulo para o início do século XX, há um deslocamento bem forte. Todos estes livros tratam também de personagens com dificuldades para se situar no mundo, com muitas dúvidas. Talvez seja uma outra característica, não sei.

Você crê que o livro pode ajudar a resgatar a obra de Julio Reis?
Espero que sim, ficarei feliz se isso acontecer. De certa forma, isso permitiria a realização de um sonho do meu avô.

 


 


separador

'O Globo', 10/4/2012

Retrato de um compositor quando ficção

O jornalista Fernando Molica lança hoje romance sobre Julio Reis, seu bisavô

O jornalista Fernando Molica se firmou como romancista na década passada com três livros ("Notícias do Mirandão", "Bandeira negra,amor" e "O ponto da partida") nos quais podia até transparecer sua experiência profissional, mas nada de sua vida pessoal. Já a quarta incursão pela ficção -- com lançamento hoje, às 19h, na livraria Saraiva do shopping Rio Sul -- tem um pé dentro de casa: os protagonistas de "O inventário de Julio Reis" (Record) são seu bisavô e seu avô. Mas é só um pé, ressalta ele, pois as informações que tinha sobre o compositor Julio Reis, seu bisavô, não seriam suficientes para escrever biografia, caso optasse por esse caminho.

-- Eu tinha um personagem muito duro, rígido, de cartola. Não tinha nada da emoção desse cara, daquilo que o movia na música. Precisava dar alma a esse personagem. Achei que a ficção criaria essa possibilidade -- conta Molica, ex-O GLOBO, TV Globo e atualmente titular da coluna "Informe do Dia", do jornal "O Dia".

Final de vida sem prestígio

Julio Reis (1863-1933) foi um compositor que teve sua notoriedade no cenário da música clássica do Rio no fim do século XIX. Compôs várias peças de concerto, sendo "Vigília d'armas" a mais conhecida, a ópera "Heliophar" e uma outra ópera que deixou inacabada, "Sóror Mariana". A luta para fazer valer uma promessa de subsídio público para encenar a segunda ópera lhe custou tempo e prestígio, contribuindo para que terminasse a vida pobre e desgostoso. Mas a razão maior de sua decadência foi ter, tanto como compositor quanto como crítico que escreveu para diversas publicações, fincado pé contra a modernização da música de concerto, a ponto de revelar que saíra no meio de uma apresentação de Villa-Lobos.

-- Ele foi um Carlos Gomes (1836-1896) fora do tempo, chegou 20 anos depois -- afirma Molica, que reveste o livro de informações sobre as mudanças pelas quais o Rio passou no início do século XX, um projeto de modernização urbana que também soterrou tradições culturais como as que o solene Julio Reis cultivava.

O escritor chegou ao compositor por meio do avô, a quem chamava de Mário, mas que no livro é Frederico (seu primeiro nome), artifício que usou para distanciar-se do vínculo afetivo que prejudicaria a ficção. -- Digo que tive uma inspiração de caráter bíblico, pois vi que não chegaria ao pai sem passar pelo filho. Meu avô levou a vida inteira buscando o pai, com quem teve uma relação distanciada. E ele acabou tendo uma relação distanciada com os próprios filhos -- conta Molica, que alternou os capítulos: os da época de Julio Reis são narrados pelo próprio; os que mostram a angústia de Frederico por rever as obras do pai sendo tocadas são em terceira pessoa.

Julio Reis documentou bem sua vida, guardando críticas dele e sobre ele, notícias da época e cartas que escreveu, como as da batalha por "Sóror Mariana". O acervo foi herdado pelo filho, que passou para uma filha, que em 2008 repassou para Molica, já conhecedor da história do compositor. Após muito ler o material, ele decidiu criar uma obra de ficção em que, se possível, o leitor sequer precisasse saber de suas relações familiares com os personagens.

-- Não queria que o livro se subordinasse a isso -- diz. Mas ele se empenhou em realizar um desejo do avô: "Vigília d'armas" será novamente tocada no dia 19, na UniRio, com regência do maestro Branco Bernardes. E, ainda, um do bisavô: doou o arquivo que tinha sobre Julio Reis para a Biblioteca Nacional.  

Luiz Fernando Vianna
separador

TV 'O Dia', 9/4/2012

Romance redescobre o maestro e compositor Julio Reis

Elcio Braga
separador

'O Dia', 8/4/2012

Viagem ao Rio Antigo traz de volta o compositor Julio Reis

Rio - Um homem atropelado pela época em que viveu. Um filho em busca de uma relação com o pai já morto. Essas são as histórias que constroem ‘O Inventário de Julio Reis’ (ed. Record, 192 págs, R$ 34,90), quarto romance de Fernando Molica, colunista do ‘Informe do Dia’ — com lançamento amanhã, a partir das 19h, na livraria Saraiva do Shopping Rio Sul.

O autor partiu de uma história que realmente existiu: compositor clássico que viveu, no Rio, a transição do século 19 para o 20, Julio Reis caiu no esquecimento depois de sua morte. O filho Frederico, no entanto, passou a vida tentando resgatar a memória do pai e fazer com que suas obras fossem interpretadas outra vez (já que, no tempo de Julio, não havia gravação em fita ou disco). Com um detalhe: os dois eram, respectivamente, bisavô e avô de Molica.

“O Julio Reis é um personagem que conheço desde os meus 11, 12 anos. Convivi muito com o meu avô, ele morreu quando eu tinha 31 anos. Então vi muito aquele material, meu avô sempre tentando fazer com que as obras do pai fossem tocadas... Cheguei a acompanhá-lo quando ele levava partituras para maestros que poderiam executá-las”, conta Molica.

Permaneceu com o neto a vontade de resgatar a obra do bisavô. “Sempre achei que deveria fazer algo, mas não sabia o quê. Ele é um artista esquecido, sobrou muito pouco dele, existem poucas referências e, mesmo assim, é sempre um personagem citado ‘en passant’”, explica o autor. “Quando comecei a pensar mais seriamente sobre o assunto, entendi que iria chegar ao pai através do filho. Pelo meu avô, eu conseguiria construir o personagem Julio Reis”, diz Molica.

No romance, duas tramas se entrelaçam: a de Julio, contada em primeira pessoa, e a de Frederico, na terceira pessoa. Em comum entre os personagens, a música como uma possibilidade de fuga da realidade pobre e cheia de obrigações. “O Julio Reis era funcionário do Senado, nos últimos anos de vida morou com o filho, tanto que morreu na casa do meu avô. Você pensa em compositor clássico e imagina um mundo de palácios, mas não era nada disso”, entrega o autor.

Ele acredita que o bisavô tenha esbarrado na dificuldade em se adaptar às grandes mudanças de seu tempo. “Foi um período muito conturbado no mundo e no Brasil, com o surgimento do movimento sindical, muitas revoltas, o período de consolidação da República, o processo de criação das favelas, o Pereira Passos quebrando a cidade inteira...”, enumera. “O modelo romântico de música que ele admirava foi atropelado pela modernidade”.

Apesar das referências históricas, Molica frisa que o livro é um romance — e, portanto, não há tanta precisão assim em certas informações. “Dentro da palavra ‘inventário’ tem o verbo ‘inventar’”, chama a atenção o autor. “Usei meu avô como referência: na minha história, é um filho que busca o pai”. E, também, um neto que se aproxima do avô sisudo.

Kamille Viola
separador

'Folha de S.Paulo', 18/3/2012

Tempo de flanar

Flanar era no tempo de Julio Reis. Compositor, maestro, pianista, escritor e crítico, esse personagem hoje desconhecido foi popular no Rio do fim do século 19, quando criou valsas, polcas, habaneras e tangos e conviveu com artistas, intelectuais e políticos nas temporadas líricas do Teatro São Pedro.

No século 20, passou a compor sinfonias e óperas. Uma delas, "Heliophar", integrou a festa que se realizou na então capital federal em comemoração do Centenário da Independência, em 1922.
Admirador de Beethoven, Verdi, Wagner -entre os brasileiros, de Carlos Gomes, que o indicou para um período de estudos na Europa -, Julio Reis tinha horror a tudo o que fosse moderno e que de longe cheirasse a Heitor Villa-Lobos.

Dizia que a nova forma de compor desprezava a melodia. Que Debussy "traduz em música o sono e o vozerio dos sapos num charco; revela as confidências de um casal de cegonhas; e reproduz o mutismo filosófico de um orangotango em êxtase ao aparecimento da lua nova". Acabou atropelado pela modernidade. Morreu pobre, em 1933, no subúrbio de Piedade.

Ressurge agora, após quase 80 anos, no romance "O Inventário de Julio Reis", pelas mãos de seu bisneto, o jornalista Fernando Molica.

"É claro que houve pesquisa, mas é ficção. Escrevi com liberdade. Até a produção documental é, de certa forma, ficcional", diz Molica. O livro chega às livrarias em abril, com a chancela da Record.

Alvaro Costa e Silva
voltar ao topo separador


BG
© Todos os direitos reservados. Todos os textos por Fernando Molica, exceto quando indicado. Antes de usar algum texto, consulte o autor. Desenvolvimento por Gabriel Lupi
Manutenção por Felipe Elia