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O Ponto de Partida

O ponto da partida

ESTA É A HISTÓRIA: UM HOMEM EM BUSCA DE UMA HISTÓRIA

separador Editora Record • 2008 • ISBN 8501081209 • Português • Capa tipo Brochura • 192 páginas • R$ 32,00 (preço sugerido)
BG
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Esta é a história: um homem em busca de uma história. Eis o homem: um jornalista de faro apurado pelo cotidiano de uma cidade com uma pauta de histórias de alta voltagem, das quais os profissionais que as escrevem são também personagens, ora cômicos, ora patéticos, graças a erros constrangedores em seus envolvimentos nas ocorrências. E isso desde o tempo em que nem todo repórter precisava escrever, como um tal de João Carniça que, no entanto, sabia apurar histórias escabrosas mais do que qualquer um de seus colegas letrados, que tanto se divertiam à custa dele quanto mal conseguiam disfarçar o componente invejoso de seus deboches.

Assim o evoca o escolado Ricardo Menezes, diante de uma cena brutal, que o faz sentir-se saturado do seu repertório de tragédias, as da cidade e as pessoais, quando ele “precisava de um João Carniça ali, do seu lado, de alguém para lhe contar novas histórias, para fazê-lo rir, para, de alguma forma, tirá-lo dali”.  

A cidade: bonita por natureza — sem exagero, uma das mais belas do planeta, cheia de encantos mil, coração do Brasil etc, a viver em festa ou em guerra. Nesse cenário, onde o glamour faz esquina com o terror, e a sedução rima com corrupção - e todo dia é o dia do Apocalipse -, ficção e realidade, comédia e tragédia, humor e dor se confundem. É o que parece nos dizer Fernando Molica, neste seu terceiro romance, com o qual ele compõe uma suíte carioca, ou simplesmente dá novos (e fortes) tons a uma aquarela do Rio de Janeiro do século 21, iniciada com Notícias do Mirandão e prosseguida com Bandeira negra, amor.

Em O PONTO DA PARTIDA, o jornalista em busca de uma história que o alivie das tensões da cidade, e das suas próprias, agarra-se à voz grave de Nélson Cavaquinho como uma recordação, digna de nota, de um Rio que passou em sua vida, para lembrar Paulinho da Viola, outro santo de seus ouvidos. Mas esse Rio, que já foi mais carioca, ficou para trás, na fronteira da nostalgia, como as velhas máquinas de escrever e as histórias engraçadas das redações cariocas. 

No entanto, acredite: esta história só dói quando você pára de rir. Pois, como já atestou Joaquim Ferreira dos Santos, a ficção fluente de Fernando Molica “provoca aquele risinho de lado das claques inteligentes”.   

Antônio Torres

BG
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