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A Igreja e o Estado argentino


Por Fernando Molica em 26 de dezembro de 2019 | Comentários (0)

A necessária discussão sobre ‘Dois papas’ e o papel de Jorge Bergoglio (o atual papa) na ditadura deve levar em conta um ponto fundamental – a relação política e econômica entre o Estado argentino e a Igreja Católica.

O segundo artigo da Constituição argentina é claro ao dizer que “El Gobierno federal sostiene el culto católico apostólico romano”. Este apoio é, inclusive, financeiro, e foi aprofundado ao longo da ditadura..

Em 1982, a lei 21.540 estabeleceu o pagamento, pelo Estado, de aposentadorias para bispos e arcebispos. Já a lei 22.950,de 1983, estabelece que o governo nacional contribuirá – dará dinheiro – para a formação do clero diocesano (padres formados em seminários das próprias dioceses, sem relação com ordens religiosas).

O artigo segundo amplia o benefício, e determina que o subsídio também será concedido para a formação de seminaristas de algumas ordens: mercedários, dominicanos, franciscanos, jesuítas (a de Bergoglio) e salesianos.

Claro que a dependência econômica em relação ao governo não determina uma subserviência dos religiosos, o filme mostra que muitos padres se rebelaram contra a ditadura. Mas esta relação íntima entre Estado e Igreja contribuiu muito para que, ao contrário do que houve no Brasil (onde bispos, padres e freiras tiveram papel importante na defesa da democracia), a hierarquia católica tenha colaborado tanto com os militares argentinos.

Para finalizar: há até pouco tempo, a Constituição argentina exigia que o presidente e o vice-presidente da República fossem católicos. Filho de uma família muçulmana, Carlos Menem teve que se converter ao catolicismo para poder ser presidente.

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