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Deu bode no concerto do Elomar


Por Fernando Molica em 12 de setembro de 2016 | Comentários (3)

O compositor e cantor Elomar provocou alguns aplausos, muitas vaias e um coro de ‘Fora Temer’ no encerramento de seu concerto, na noite deste domingo, na Sala Cecília Meireles.

Ao final da apresentação, que contou com a Orquestra Sinfônica Nacional da Universidade Federal Fluminense, Elomar, aplaudido de pé, fez agradecimentos e recitou trechos do Hino à Bandeira. Em seguida, afirmou que a bandeira nacional jamais seria vermelha.

A declaração gerou poucos aplausos que, em seguinda, foram sufocados por vaias. Logo depois, a maior parte do público iniciou o grito de ‘Fora Temer’. O músico, que é fazendeiro e cria bodes no interior da Bahia, evitou novas declarações de teor político e, em seguida, deixou o palco.

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Comentários
27 de novembro de 2016

Estou com Elomar. O verde e amarelo não pode ser jamais substituído pelo vermelho (uma bela cor, de fato) de ideologias fracassadas nos corredores da História. O Brasil precisa ser passado e limpo e posições ideológicas de qualquer matiz não podem servir de blindagem para as quadrilhas de corruptos que nos assolam. Viva Elomar e Viva o Brasil!

Jeremias
12 de setembro de 2016

Eu estava lá ontem, na gloriosa Sala Cecília Meireles. Foi um comentário bastante infeliz, feito por um grande artista. Porém, como estamos em uma democracia, "quem diz o que quer, ouve o que não quer. É importante que fique claro que as vaias foram para a ideologia do Elomar e não para a sua arte. Curioso é saber que toda a obra do artista tem o sentido de fortalecer a nossa cultura, sobretudo a mais genuína, a do sertão, do coração do Brasil. O presidente (ilegítimo) Temer, então "interino", teve como uma de suas primeiras ações, a extinção do Ministério da Cultura, só recolocando-o de volta após inúmeras manifestações populares e da classe artística. Esse "governo da bandeira verde e amarela" não tem apreço verdadeiro pela Cultura; o que o governo "da bandeira vermelha" sempre teve, desde que foi eleito legitimamente, e criou o MINISTÉRIO DA CULTURA,separado da Educação. Acho que o Elomar não sabe do que estava falando. Que ele continue compondo e cantando, trazendo a voz do sertão para os nossos corações, que isso ele sabe fazer muito bem, ora se sabe!!!!

NANCY CARVALHO
12 de setembro de 2016

Boa tarde!!! Eu estava no show de ontem e, é uma prova de como a desconstrução de mitos produz todo tipo de reações e emoções. Em mim, produziu profunda decepção, sobretudo porque Elomar carrega em suas canções, personagens e elementos do sertão que estão sob severas dores, frente ao achincalhamento recente e profundo de nossa democracia. Outra coisa: ele tem todo o direito de expressar o que defende e acredita. O que me resta, é olhar toda sua obra, a partir de agora e, a mim, lamentavelmente, num outro sentido. Crendo que parte significativa de sua genialidade musical, não condiz com seu modelo oligárquico de ver o Brasil e pensar o mundo. Tudo começou a me incomodar bastante a partir do instante que começou-se uma sutil neo pentecostialização desnecessária, com apologias diretas entre sua antífona 11 e o pentateuco bíblico como fonte inspiradora. Aí já começou meu estranhamento. Só que, com todo respeito a magnifica obra desse senhor genial em suas composições, não poderia imaginar que o pior estava por vir. Ao encerrar o show com os agradecimentos convencionais (com péssimo som na sala Cecília Meireles, diga-se de passagem), Elomar aventurou-se a falar da resistência do Rio de Janeiro por causa da força do chorinho. Em seguida, vilipendiando a diversidade geral do público e subestimando a nocividade do golpe na cultura, bradou ao fim do verso do hino nacional "... Brasil, de amor eterno seja símbolo O lábaro que ostentas estrelado E diga o verde-louro dessa flâmula..." E EMENDOU: "...TEM GENTE AÍ QUERENDO TRANSFORMAR ESSE VERDE DA NOSSA BANDEIRA PELO VERMELHO". OU SEJA, a visão do latifundiário ruralista ante aos movimentos de reforma agrária em um dos países com maior concentração de terras do mundo. ISSO FOI O OCORRIDO. LAMENTÁVEL!!!!

Walmir Pimentel Baptista