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O ataque das insaciáveis vendedoras


Por Fernando Molica em 15 de junho de 2011 | Comentários (2)

Coluna Estação Carioca, jornal O Dia, 15/6/11

Comprar presente para uma mulher não é simples. Basta um homem entrar naquele universo de vestidos, blusas, sapatos e bijuterias para tornar-se uma presa de olhares sedentos, ameaçadores e sedutores de todas aquelas lindas e atraentes vendedoras. Não se iluda com o tratamento carinhoso, elas só estão interessadas no seu dinheiro.

O que era para ser uma simples compra transforma-se num complicado ritual de sedução; aquelas tentadoras mocinhas querem extrair tudo o que puderem de sua carteira. São gulosas, insaciáveis, incansáveis. Ficamos esgotados e inebriados diante das ofertas murmuradas pela loura de nariz arrebitado, pela morena de seios fartos, pela negra de boca carnuda.

Nada as deixa mais decepcionadas quando você, assim que entra na loja, aponta para um vestido na vitrine e, resoluto, diz: “Oi. Quero um daquele ali, tamanho pequeno.” A solução transforma-se num problema. Algumas chegam a fazer beicinho, sentem-se agredidas, ficam como se diante do calhorda que, no primeiro encontro, aponta o carro direto para o motel. É como o sexo sem preliminares, sem carinho. “Como assim?” — parecem nos perguntar. “Isto é uma ofensa!”, proclamam, furiosos, aqueles profundos e enlouquecedores olhos verdes, ligeiramente úmidos.

Claro que a vendedora insiste — é mulher, né? Enquanto dobra o vestido, desfila acessórios que considera essenciais para o complemento da peça, uma coleção de inhos e inhas. Cintinho, sandalinha, casaquinho. “Não, não, não”, rosno. “Não? Ah, não!” — dá para ler seu pensamento. Como derradeira tentativa, ela, sentindo-se vítima de uma espécie de bullying, saca de uma camisetinha — básica, frisa — e sussurra. “Se você levar, pode fazer tudo (fazer tudo, uau!) em duas vezes.” Como o Erasmo Carlos, eu digo não, digo não, digo não. Isto, enquanto temo ser acusado de sabe-se lá o quê (desde quando elas precisam de motivos para nos fazer sentir culpados?). A moça, enfim, desiste. Olha com desprezo para o vestido e, por maldade, pergunta: “É pra presente?” “Sim. Não compro vestido de alcinhas para mim”, respondo, irônico (tenho que manter a minha fama de mau). Na véspera do Dia dos Namorados, ainda encarei um último ato. A decepcionada vendedora ressaltou ter colado no embrulho a etiqueta que identifica quem comprou o presente. Surpreso, balbuciei: “Não precisava. Espero que ninguém mais dê presente para minha mulher amanhã.” Saí correndo da loja.

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Comentários
16 de junho de 2011

É, ainda tem esta frase. Acho que sim, a companheira-patroa disse que gostou. Abração.

Fernando Molica
15 de junho de 2011

Que jornada. Mas fica a pergunta: fez sucesso com o presente?

beto