WWW.FERNANDOMOLICA.COM.BR

Blog

PONTOS DE PARTIDA, O BLOG DO MOLICA

Pitacos municipais 25 – Derrota da esquerda no primeiro turno não mudou discurso de Freixo


Por Fernando Molica em 31 de outubro de 2016 | Comentários (0)

O resultado do primeiro turno mostrou que uma vitória de Marcelo Freixo no mata-mata seria muito improvável: ele e os demais candidatos de esquerda tiveram, somados, 23,22% dos votos válidos. Marcelo Crivella e os demais representantes da direita e da centro-direita ficaram com a preferência de 76,78% dos eleitores que optaram por algum dos concorrentes.

O campo conservador teve, na primeira rodada eleitoral, 3,3 vezes mais votos que o chamado progressista. A esquerda, abalada com os escândalos que envolvem o PT, tomou uma goleada no dia 2 de outubro e só chegou ao segundo turno carioca graças à divisão de votos dos adversários ideológicos e à teimosia do prefeito Eduardo Paes de escalar um jogador, Pedro Paulo, que, por conta da acusação de ter agredido a então mulher, entrou em campo mancando, sem condições de jogo.

Beneficiado pela pulverização de votos conservadores, Freixo entrou no segundo turno meio que por acidente e, num primeiro momento, comportou-se como um time pequeno que chega à final de um campeonato e que se dá por satisfeito com a façanha. No primeiro debate, na Band, chamou Crivella de “senhor” e disse que o respeitava.

Enquanto isso, o candidato do Psol era vítima de boatos espalhados pelas redes sociais que enfatizavam suas supostas propostas relacionada a questões comportamentais – legalização das drogas e do aborto, estímulo ao casamento gay. Todos temas que fazem parte da esfera federal ou estadual.

Além de não ter conseguido responder aos ataques, Freixo, animado com a ida para o segundo turno, não atentou para a óbvia derrota da esquerda na primeira fase e insistiu em discursar para os já convertidos. Demorou a tentar seduzir o eleitor mais conservador, fundamental para quem precisa de maioria para ser eleito.

Fazer aliança com setores mais conservadores não significa, necessariamente, entregar a chave dos cofres públicos. Na campanha, o candidato falou muito em diversidade, mas não abriu mão da ortodoxia política-ideológica. Certo de sua verdade, Freixo não conseguiu falar para o eleitor mais pobre, que vai à Praça São Salvador apenas para vender cerveja.

Os ataques mais diretos ao adversário, que permitiram a busca de um voto ético, só começaram depois de a imprensa revelar fatos comprometedores do passado de Crivella. Só na última semana de campanha, assustado com a tendência de crescimento de abstenções e de votos nulos, Freixo procurou se mover em direção ao centro – divulgou seu ‘Compromisso com o Rio’, carta em que dizia que respeitaria contratos e o equilíbrio fiscal. Era tarde demais.

Pesou também contra o canditado do Psol a dificuldade que teve, num passado recente, de condenar a violência provocada pelos black blocs, como se o repúdio aos excessos de manifestantes representasse um apoio à atuação da PM. Preocupado, na época, em não criar arestas com setores do partido e da esquerda que apoiavam os gestos mais radicais, Freixo se esqueceu que, em dois ou três anos, enfrentaria uma eleição majoritária. Violência é uma forma de luta política, mas é contraditória com a via institucional. Quem opta por ambas tende a perder as duas batalhas.

Hoje, teóricos que em 2013 diziam que a atuação dos black blocs servia para questionar o “monopólio da violência pelo Estado” e que era “inútil e simplista” dividir manifestantes entre pacíficos , vândalos e mascarados, publicam textos em que exaltam a beleza da campanha de Freixo e demonstram orgulho e alegria com a derrota que ajudaram a construir.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *