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Pur-tu-gal (5) – Minha gata


Por Fernando Molica em 11 de junho de 2008 | Comentários (0)

“Sou da CDD e tô tirando a maior onda…” “CDD” é sigla de Cidade de Deus. Quem tirava a tal da onda era um garçom que, havia pouco tempo, trabalhava num restaurante da rua Prado Junior, em Copacabana (pra quem não é do Rio: a Prado Junior é uma rua que concentra um bar que tem ótimos sanduíches – o Cervantes -, boates insuspeitas (puteiros honestamente assumidos como tais) e algumas outras arapucas para turistas.

Em meio a uma visita à Cave Ferreirinha, uma das muitas produtoras de vinho do Porto sediadas em Vila Nova de Gaia, o garçom fazia questão de contar sua história para outros brasileiros. Estava ali graças à sua namorada – “a minha gata” – uma loura suíça meio rechonchuda. A Brigitte. Não, não era uma Brigitte qualquer. O “Bri” emergia em forma de bico, lábios superior e inferior unidos, voltados para cima (para o hemisfério norte?):deles saía um som que estimulava a produção de virtuais purpurinas douradas que emolduravam a primeira sílaba do nome da amada.

O “gi” provocava uma abertura lateral da boca, o som saía num carioquês radical, chiado, ar rebatido nas traves dos dentes das duas arcadas. Tudo arrematado por um “te” quase onomatopaico, arremessado na direção do interlocutor: “Brixiti, minha gata.” A gata que o tirara da Prado Junior, que o carregara para Portugal, que o fazia sonhar com as emoções da Eurocopa que seria disputada, dali a alguns dias, na Áustria e na Suíça, esta, terra natal de sua gata.

Brixiti, CDD, Prado Junior, minha gata, Eurocopa: “Tô tirando a maior onda”, repetia.

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