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Blog Pontos de Partida
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O futuro está na esquina

em 12 de outubro de 2019

'Bacurau' é ambientado no futuro; 'Coringa', no passado. Ambos tratam de fatos ambientados em cidades fictícias. Mas saí do cinema com a sensação de que, em breve, poderão ser vistos como documentários.

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O chefe e o roteiro

em 16 de agosto de 2019

- Quem foi o irresponsável que aprovou este roteiro?
- Como assim, chefe?
- Como assim? Vocês querem que eu perca o emprego, que vá pra embaixada na Coreia do Norte? Ninguém leu o edital? Filmes, agora, só com temas de família, nada de safadeza.
- Mas estamos atentos, chefe...
- Atentos, sei... Olha isso aqui: "Beije-me com os beijos da sua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho." Amor melhor que vinho! Sexo e álcool na mesma frase!
- Mas, mas...
- Mas é o cacete. E essa frase? "Às éguas dos carros de Faraó te comparo, ó meu amor." O cara compara a mulher a um bando de éguas! E vocês querem que o dinheiro público seja usado nisso...
- Eu posso explicar...
- Cala a boca, rapaz. Depois de ser comparada a uma cavala, a mulher diz: "O meu amado é para mim como um ramalhete de mirra, posto entre os meus seios.". Ramalhete de mirra entre os seios! Vocês querem que cena de Espanhola seja filmada com verba federal, é o fim!
- Mas...
- Não pode putaria, não pode sexo. E ainda tem cena gay, ideologia de gênero! Leia isso aqui: "O meu amado é semelhante ao gamo, ou ao filho do veado." Filho do veado!?! E tome de nudez, nudez,nudez: "Os contornos de tuas coxas são como jóias, trabalhadas por mãos de artista. O teu umbigo como uma taça redonda, a que não falta bebida; o teu ventre como montão de trigo, cercado de lírios.Os teus dois seios como dois filhos gêmeos de gazela." Parece aquela coluna da 'Ele & Ela'. Porra, acabou, acabou, tá tudo vetado. Nada disso vai ser filmado. Pra mim, chega, eu vou pra casa. Amanhã, todo mundo às 8h aqui. Quero descobrir quem aprovou essa indecência.

(...)

- Xi, o chefe ficou irritado.
- E quem é que vai contar pra ele que o roteiro é bíblico, adaptação do 'Cântico dos cânticos'?
- Não vou contar nada, melhor deixar pra lá. Vou tratar de vetar uma outra proposta. Aquela história de homem e mulher pelados no meio da selva não vai rolar. Ainda tem uma cobra e uma maçã na parada. Se isso passa, a gente vai pra rua.

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Aquarela do João

em 06 de julho de 2019

Há muito que João Gilberto não era mais uma trilha sonora compatível com o Brasil. O país ficou mais bruto, cruel, vulgar, desumano; rompeu com qualquer projeto de carinho, de amor, de busca de alguma paz. O Brasil desafinou, deixou-se embalar pelo ódio, pela repetição de certezas e de chavões - nem a nossa música escapou de tamanha banalização.
João Gilberto apostou no incerto, inventou um jeito de cantar e de tocar violão, mirou a utopia, a afinação absoluta. Sacrificou a própria sanidade em busca no inalcançável, é possível que tenha morrido frustrado por não ter atingido tamanha perfeição. Fomos testemunhas privilegiadas de sua jornada.

Há pouco, ao saber de sua morte, cantarolei `Chega de saudade`, lembrei do dia em que, disfarçado de publicitário, acompanhei o que seria um ensaio dele com Tom Jobim num hotel de Ipanema. João chegou atrasado, foi no quarto da suíte afinar o violão e, ali, a uns três ou quatro metros de onde eu estava, cantou várias vezes a já pra lá de conhecida canção - meninos eu vi, eu ouvi.

Mas acho que essa gravação de 'Aquarela do Brasil' traduz melhor o momento da morte de João. Aqui, Gil e Caetano não escondem a alegria de cantar ao lado do mestre de todos, dá pra sentir a reverência pelo mais velho, por aquele que abriu caminho pra tanta gente.
Ouvir esses três baianos cantando o mineiro Ary Barroso é lindo e triste, remete a um passado em que acreditávamos num país que, no futuro, seria mais justo e doce. O país decidiu se perder, mas, até por conta desses grandes artistas, ainda dá para ter esperança num Brasil melhor, mais bonito, mais harmônico e delicado - pra mim, pra todos nós.

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