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Degredados e racismo

em 25 de setembro de 2016

Essa história de atribuir nossas mazelas ao fato de que havia degredados entre os primeiros colonizadores resvala pesado no racismo. Mais, evoca uma espécie de determinismo genético ("Pau que nasce torto cresce torto") que justifica ataques a determinados grupos e, no limite, colabora para fenômenos como tentativas de extermínio daqueles apontados como degenerados ou impuros.

Falar em degredados é relatar apenas uma parte do preconceito tantas vezes cochichado. A justificativa para o nosso atraso tantas vezes apontada pelos arautos da simplificação e da eugenia costuma também citar a presença de negros e índios entre nossos antepassados. Quantas vezes não ouvimos que estávamos destinados ao fracasso por conta do cruzamento - a palavra usada é essa, que remete ao sexo entre animais - entre portugueses/degredados, negros e índios?

Esse tipo de estupidez costuma ganhar corpo principalmente entre aqueles que, por razões genéticas e/ou culturais, não se consideram fruto dos cruzamentos por eles classificados de malditos. Ou que, pelo menos, acham que, por conta do estudo e/ou da religião, conseguiram purgar as marcas da herança transmitida pelos antepassados, livraram-se do pecado original da colonização e das consequências da fornicação desmedida.

O viés racista fica ainda mais evidente ao se, com frequência, associar o lamento pela presença lusitana ao suspiro pelo fracasso das tentativas de colonização pela Holanda e França, pátrias de povos mais desenvolvidos - e brancos - que os portugueses. Um pensamento que, como já ressaltado por outros, não leva em conta as atrocidades cometidas por holandeses na África do Sul nem a barbárie promovida por franceses na Argélia e em outras colônias.

Na América, os cristãos ingleses não vacilaram em quase exterminar índios e em escravizar africanos. A Austrália, como frisou Fernando Brito, foi formada não por meia dúzia, mas por milhares de degredados. Por esta lógica, alemães e italianos deveriam ser isolados, afinal, muitos deles são (somos) descendentes de nazistas e fascistas.

A insistência no princípio do pecado original ofende a todos nós, herdeiros de portugueses, negros, índios, judeus, árabes, italianos, espanhóis, franceses, japoneses, coreanos, holandeses, poloneses, alemães. Desqualifica os que estavam aqui antes dos portugueses e todos aqueles que, escravizados ou em busca de uma vida melhor, chegaram depois.

Falar em herança maldita joga toda uma população contra a parede, faz como que todos sejamos suspeitos, necessitados de limpeza, purgação ou exorcismo. Foi assim, em nome de algum deus ou de uma suposta superioridade genética, que muita gente ao longo da história foi levada para a fogueira e para as câmaras de gás.

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Pitacos municipais 13 - Eleitores desconhecem números de candidatos

em 23 de setembro de 2016

Para conseguir chegar ao segundo turno da eleição carioca, Jandira Feghali (PCdoB) precisa, além de conquistar votos, se esforçar muito para que os eleitores aprendam a sua dezena (65). Entre os que disseram ao Datafolha que votarão nela, apenas 29% acertam o número que corresponde ao seu partido e que deve ser digitado na urna eletrônica, 4% responderam de maneira errada e 66% declararam que não sabiam o número da candidata.

Embolados com Jandira na disputa pelo segundo lugar, Marcelo Freixo (50) e Pedro Paulo (15) tiveram resultados melhores.No caso do candidato do Psol, 57% responderam à pergunta de forma correta; 3% erraram e 40% afirmaram que não sabiam qual era seu número. O resultado em relação ao peemedebista foi parecido: 56% citaram o número correto, 3% erraram e 40% afirmaram que não sabiam.

A vantagem de Freixo deve estar associada ao perfil de seus eleitores - 68% deles cursaram o ensino superior; 27%, o médio e 5%, o fundamental. No caso de Jandira, os percentuais são 22%, 41% e 37%; Pedro Paulo tem 19%, 47% e 34%. Pedro Paulo tem a vantagem de concorrer por um partido antigo e bem conhecido - a dezena que o identifica venceu as últimas eleições para governador e prefeito.

Segundo a pesquisa, o índice de acerto de números é diretamente proporcional ao grau de escolaridade dos eleitores: entre os que chegaram à faculdade foi de 49% - os percentuais caíram para 45% e 38% entre os que, respectivamente, cursaram o Ensino Médio e apenas o Fundamental.

Flavio Bolsonaro (PSC) e Indio da Costa (PSD) que, segundo o Datafolha, também estão tecnicamente empatados no segundo lugar, também vão ter que repetir muito seus números nos próximos dias. Apenas 26% de seus prováveis eleitores sabem associá-los à dezena que tem que ser digitada: 72% ignoram o número de Bolsonaro (20); 73% o de Indio (55).

Metade dos eleitores de Marcelo Crivella (PRB), líder isolado da pesquisa, acertou seu número (10); 3% erraram e 47% não arriscaram qualquer resposta.

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Pitacos municipais 12 - Paes e o ir ou não ir

em 23 de setembro de 2016

Faltando pouco mais de uma semana para o primeiro turno, Eduardo Paes tem sido pressionado por aliados para participar do programa eleitoral de Pedro Paulo (PMDB).

O prefeito já fez gravações para o horário de TV, mas resiste em autorizar o uso do material. Assessores que cuidam do marketing da campanha temem que sua presença atrapalhe a consolidação da imagem do candidato, que poderia ser visto apenas como um "poste" indicado pelo padrinho.

Mas a pressão é grande. Para muitos correligionários, a participação de Paes seria a única forma de transferir parte de sua popularidade para Pedro Paulo. Segundo a última pesquisa Datafolha, a administração do atual prefeito é considerada ótima ou boa por 30% dos eleitores cariocas.

De acordo com a mesma pesquisa, Pedro Paulo tem 9% das intenções de voto, embolado com Marcelo Freixo (Psol), com 10%, e com Jandira Feghali (PCdoB), com 9%. Flavio Bolsonaro (PSC) tem 7% e Indio da Costa (PSD), 6%. Disparado na liderança, Marcelo Crivella (PRB) recebeu 31% das preferências.

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